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quarta-feira, 3 de maio de 2017

SERRADORES DE BAMBU

SERRADOR
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Rhinastus sternicornis
 Oncideres dejeani


Rhinastus sternicornis


Para uma melhor compreensão deste artigo sugiro, aos meus amigos deste blog, que acessem inicialmente artigo divulgado anteriormente aqui no meu blog, intitulado "QUEM CORTOU OS MEUS BAMBUS" - Neste artigo descrevo os nuances de uma batalha incessante, no sentido de procurar preservar a minha coleção de BAMBUS intacta, diante deste voraz inseto intitulado com o codinome de "Serrador".

Na realidade se trata de mais do que uma espécie de inseto mas que, praticamente, agem de uma mesma maneira.

A finalidade deste novo post é ratificar que a forma mais efetiva de minimizar os estragos feitos pelo serrador nas florestas de bambu é o da coleta das varas cortadas e sua destruição.

Por se tratar de um inseto de hábitos noturnos é muito difícil a sua localização e/ou captura, que talvez seja possível através de iscas e armadilhas apropriadas para insetos deste tipo de comportamento.

Como muitas vezes o produto final dos bambuzais é o de produção de brotos comestíveis o uso de venenos iria provocar alguma reação na comercialização dos brotos(por mais inócuos que sejam à saúde humana)  uma vez que o bambu carrega consigo esta atmosfera de alimento puro e saudável. Somado a este fato, a utilização de venenos não é recomendada em nenhuma das circunstâncias que possam prejudicar o meio ambiente e as pessoas que trabalham e moram nas cercanias destes bambuzais.
                                                                Modo de operação e Ciclo

1 - Cortam varas novas ainda verdes com diâmetros variados não excedendo aos 4 cm(preferencialmente varas jovens com poucos dias de vida)



Os conhecidos e capturados aqui na minha área são o Oncideres dejeani e o Rhinastus sternicornis
Para não ser repetitivo com relação ao meu post anterior vamos pular a parte descritiva e postar uma série de fotos onde aparecem os cortes e as posturas bem como a larva em desenvolvimento.


2 - Fazem pequenos orifícios na posição mediana do entrenó





 





3 - Executam a postura do ovo neste pequeno orifício
4 - O ovo ali permanece e eclodindo forma uma pequena larva
5 - A larva se desenvolve e se torna um inseto adulto que recomeça o ciclo
 





 

           PROCEDIMENTO PARA EXPURGO  DE COLETA DAS VARAS NO BAMBUZAL


Segue abaixo o procedimento de coleta e como fazer o expurgo das varas para que as larvas venham a ser eliminadas.
ASSISTA O VIDEO:
Queimar as varas e ou moer são os meios mais fáceis, porém estes métodos nem sempre são possíveis no momento da caminhada e da coleta dentro do bambuzal(mesmo porque fogo dentro do bambuzal não dá nem para pensar!!)
Munido de um bom podão e serrinha deve-se proceder uma recorrida dentro das touceiras e recolher as varas. No próprio local se faz o corte dos bambus logo após o nó e antes dele de forma que o canudo fique aberto nas duas extremidades. Desta forma a larva ficará exposta aos seus predadores e a própria natureza se encarrega do restante.
   

Tubo inteiro a ser cortado próximo ao nó


 Corte nos nós para expor a larva que normalmente se acomoda próximo ao nó



 Liberando o tubo aberto dos dois lados - Para acesso ao predador ou aos demais insetos ou pássaros e formigas

 



O material ficará no próprio local sendo reciclado.


A infestação será diretamente proporcional ao número de varas que não forem recolhidas.
Como coadjuvante podem ser utilizados repelentes e outros produtos similares aos utilizados nas hortas de produção orgânica, como a essência de laranja( extrato retirado das cascas de laranja).

Tenho utilizado este produto com algum resultado positivo mas certamente, o que realmente  é efetivo ao extermínio do inseto é o processo que descrevi acima, que é a eliminação de sua prole.
É conveniente lembrar que o uso de inseticidas, por mais agressivos que sejam. não chega a eliminar as larvas que estão eficientemente protegidas dentro dos colmos que forem cortados.
Sempre lembrando que  o uso de inseticidas além de eliminar os insetos quer se quer eliminar também mata outros que são benéficos ao bambu,  como a Joaninha e alguns aracnídeos

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

ARUNDO DONAX - PARECE BAMBU...MAS NÃO É!

ARUNDO DONAX

Kingdom
Subkingdom
Superdivision
     Spermatophyta
Division
       Magnoliophyta
Class
         Liliopsida –Monocotiledonea
Subclass
           Commelinidae
Order
             Cyperales
Family
               Poaceae – (Gramínea)
Genus
                 Arundo L.
Species
                   Arundo donax L.

Sinonímia: Cana-do-Reino, Cana Castilla, Giant reed







Este artigo é um compilado resultante de uma curiosidade sobre este material que durante alguns anos(muitos) fui juntando nos meus arquivos.
Iniciou quando ganhei alguns  pedaços de um "bambu" que me foram dados por um vizinho que queria se ver livre de umas "taquaras" que estavam tomando conta de um espaço em sua propriedade. Como ele iria jogar tudo fora e sabia que eu gostava de bambu, juntou algumas varas e me deu para que eu pudesse aproveitá-las em algum dos meus trabalhos.

Recortei algumas varas e fiz o quadro abaixo para colocá-las lado a lado e fazer o comparativo a semelhança que estas varas tem com o bambu

   
O Arundo donax é um material mais rígido e mais adequado para dar alguma funcionalidade similar as do bambu. Ele é muito mais leve que os bambus de seu mesmo porte o que lhes permite adaptar a função de substituir o bambu em alguns trabalhos.

 O Capim Cameron, que é este material da direita da foto acima, também tem uma configuração semelhante ao bambu, mas o Arundo donax é mais adequado para algumas funções mais "light".



Como eu já conhecia o Arundo donax antes, por tê-lo visto em diversos locais e mesmo já os tinha visto neste local de onde eles vieram, logo que recebi o material  identifiquei que os "bambus" que estava recebendo não eram propriamente bambus, mas sim um material muito parecido e que certamente poderia ter um aproveitamento.
Sei que este material é bastante utilizado na indústria de instrumentos de sopro, nas palhetas de clarinetes, saxofones, gaitas de boca dentre outros similares.






Tirei algumas mudas do Arundo donax deste local e as plantei no Bambuplatz Garten. 









Colhi muitas amostras destas plantas neste local e fiz esta composição delas abaixo para auxiliar a sua identificação. Como não sou um taxonomista acredito que por ser uma planta globalmente difundida deva ter muitas espécies e variantes













A partir daí passei a estudá-los para ver sua aplicação em algum trabalho ou qual poderia ser sua utilidade no mercado como um material alternativo para trabalhos manuais e decorativos.


Como estes cavaletes que construí com um design que foi adaptado ao material, para um aparador utilizando estes conectores de cobre que lhes dão ao mesmo tempo boa firmeza e aspecto.






Cavaletes com Arundo donax by Ene






O material muito se assemelha ao bambu para ser aproveitado em muitos trabalhos decorativos, por sua aparência e por sua estrutura rígida, com paredes de até 2mm o que permite que seja utilizado para estruturar pequenos móveis e molduras.
Os cavaletes da foto acima foram criados com o Arundo donax como experiência para substituir o mesmo móvel, desenhado inicialmente para ser confeccionado com Phyllostachys aurea e P.nigra.  Acabou dando certo e lá estão até hoje.















Em viagens por diversos países tenho visto e fotografado esta planta nos mais distintos locais, sendo alguns plantados ali e outros que parecem ser reprodução natural, cujas fotos divulgo a seguir :




Local de clima frio chegando no inverno a temperaturas negativas

 Em plena aridez das áreas desérticas de Nevada-USA.
Na Califórnia-USA


Foto tirada da beira da pista de aterrisagem. no aeroporto de Barcelona-Espanha

No Texas-USA, na estrada entre Austin e Houston
Em Florianópolis-SC


 Cobertura simples de um pergolado em Capri-Itália em local bastante alto.(Próximo desta área tinha uma propriedade com Arundo donax plantado)

 No talude do Arroio Ipiranga em Porto Alegre-RS


Foto de uma área contigua a cidade medieval em Óbidos, Portugal




Em Toulon na França em uma área a beira mar muito próxima a praia. Local muito arenoso.

Muito interessante este local na Turquia na estrada para Kusadasi
Na estrada entre Seatlle,USA e a divisa do Canadá.

Como se pode ver temos observado esta planta em diversos locais e países. Isto demonstra a versatilidade dela em se adaptar nas mais distintas condições de clima, altitude, solos e situações.
Em algumas situações se observa que o Arundo donax pode ser "invasivo" em relação a certos locais onde  existem áreas que se quer manter preservadas, portanto é necessário que se tenha algum cuidado em colocá-los em áreas de matos naturais nativos.
Não tenho conhecimento técnico sobre o cultivo e outras técnicas de controle sobre esta planta, portanto não preconizo seu uso sem que seja acompanhado de técnico capacitado para estas práticas.
As aplicações deste material como matéria prima para diversos fins tais como os já citados e fabricação de compósitos, compensados e outros similares podem ser facilmente encontrados na web.
Agradeço aos que de alguma forma quiserem coloborar com informações ou correções nesta publicação.